Os
Pioneiros
 
Alguns dos Precursores da Anestesia Obstétrica
James Young Simpson

(1811-1870)

Médico escocês considerado o pai da anestesia obstétrica. Realizou a primeira analgesia do trabalho de parto através de meios farmacológicos que se tem notícia ao administrar éter por via inalatória a uma gestante com deformidade pélvica em 1847, apenas alguns meses após a demonstração pública realizada por Morton, em 16/10/1846 (figuras acima - reprodução do momento  e réplica do inalador).

 
John Snow

(1813-1858)

Médico inglês que administrou clorofórmio à Rainha Vitória para o nascimento dos últimos dos seus nove filhos (Leopold em 1853 e Beatrice em 1857). Esta aceitação “real” da analgesia do trabalho de parto constituiu um marco para a popularização destas técnicas, ajudando a vencer a resistência imposta pela medicina tradicional e, em especial, pelos setores mais conservadores da Igreja Anglicana e Cristã.

 
Virginia Apgar

(1909-1974)

Médica anestesiologista norte-americana considerada a iniciadora da neonatologia moderna. O seu trabalho  de avaliação de vitalidade dos neonatos na sala de parto, realizado em 1953, se tornou um dos mais importantes marcos nesta área em todos os tempos. Ainda hoje, mais de meio século depois e a despeito das críticas modernas a seu real valor, o índice de Apgar ainda é utilizado em unidades obstétricas e maternidades em todo o mundo.

 

Oskar Kreis

Anestesiologista suiço que administrou em 1900, pela primeira vez, a raquianestesia para analgesia do trabalho de parto. No seu estudo publicado (figura abaixo), relata a administração de cocaína no espaço subaracnoide de seis parturientes com dilatação cervical completa. A despeito do estado dos neonatos não ser mencionado, Kreis informa que as parturientes ficaram completamente acordadas e colaborativas, ao contrário das outras formas de analgesia sistêmica utilizadas at
é então.
 

Richard von Steinbüchel

Médico austríaco pioneiro do uso dos opióides para analgesia do trabalho de parto. Em 1907, descreveu a técnica intitulada de “twilight sleep”, que consistia no uso de morfina e escopolamina sistêmicas (figura abaixo). Estudos nos anos subsequentes de dois médicos alemães, Carl Gauss e Bernhardt Krönig, popularizaram esta técnica que foi utilizada por várias décadas. Não promove uma analgesia completa, mas o uso da escopolamina potencializa a morfina e induz ao desenvolvimento de amnésia destes eventos dolorosos. Atualmente, o uso de opióides sistêmicos e, em particular, neuroaxiais consiste numa das pedras angulares da anestesia obstétrica moderna.

 
Walter Stoeckel

(1871-1961)

Médico alemão que descreveu pela primeira vez uso da anestesia peridural para analgesia do parto. Em 1909, ele publicou 141 casos de peridural por via caudal em parturientes com intensa algia e trabalho de parto avançado. Após o seu relato, uma série de trabalhos de outros autores se seguiram nas décadas subsequentes. A analgesia e a anestesia peridural ainda são amplamente usadas em todo o mundo no trabalho de parto e também na cesárea.

 
Eugene Aburel

(1899-1975)

Médico romeno que preconizou o uso da peridural contínua, através de uma agulha maleável, para analgesia do trabalho de parto em 1931. Ele iniciou o estudo da inervação sensorial do útero e do períneo, utilizando esta base anátomo-fisiológica para defender a sua proposição. As técnicas espinhais contínuas, largamente utilizadas na anestesia obstétrica, devem a este pioneiro a sua descrição e o início da sua utilização.

 
John Cleland

(1890-1980)

Médico norte-americano que apresenta seu trabalho clássico sobre as vias de inervação uterinas em 1933. Preconiza, pela primeira vez, o uso do bloqueio paracervical na analgesia da dor da primeira fase do trabalho de parto. Seus estudos sobre o tema continuam nos anos subsequentes. Em 1948, publica artigo no Canadian Medical Association Journal intitulado Anatomical Basis for Continuous Caudal and Other Forms of Regional Blocks in Obstetrics. As suas pesquisas pioneiras contribuem fundamentalmente para as bases anátomo-fisiológicas da anestesia obstétrica moderna.

 
Robert Hingson

Waldo Edwards

Médicos norte-americanos que relataram o uso, em 1943, da anestesia peridural caudal contínua para analgesia do parto com a utilização de cateteres em vez das tradicionais agulhas maleáveis utilizadas até aquele momento. Lançam, desta forma, as bases modernas da analgesia obstétrica. Observamos desde então intensas modificações e melhorias na técnica, nos materiais e nos fármacos empregados até chegarmos ao patamar de excelência e qualidade que experimentamos no presente.

 
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